terça-feira, 18 de novembro de 2014

A relação de afeto como
meio para o sucesso escolar

Por Débora Corigliano
Psicopedagoga

     Começo este artigo citando uma frase de Rubens Alves que descreve a diferença do afeto na carreira do professor e do educador: "Professores, há aos milhares. Mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança".
     Quando éramos alunos, nos identificávamos com alguns professores, de alguns gostávamos mais, de outros nem tanto e, consequentemente, nosso rendimento escolar seguia a mesma linha. Conseguíamos boas notas nas matérias com as quais tínhamos um relacionamento afetivo com o professor.
     Hoje em dia, apesar dos avanços tecnológicos, da figura passiva do professor em comparação à vida globalizada a qual o aluno tem acesso, a afetividade deve ocupar um espaço importante. estratégias diferenciadas dentro da sala de aula ajudam a prender a atenção do aluno, diversificando a aula e mantendo a turma "ligada" na proposta pedagógica. Porém, se não houver a afetividade em cada atividade, o objetivo não é atingido.
     Quando me refiro à afetividade, não quero dizer que o educador bonzinho, permissivo, legal e amigo é melhor, longe disto. A relação de afetividade que o educador deve manter com seus alunos permeia o respeito mútuo, o diálogo, a troca de experiências, a capacidade de perceber a individualidade de cada aluno e a competência pedagógica. Esses fatores transformam o profissional da educação em um educador que, além de conseguir seus objetivos pedagógicos, forma amigos ao longo do ano letivo e fortalece esse relacionamento e a experiência que isso lhe proporciona. Estudos têm demonstrado a importância do afeto como mecanismo para aquisição do saber. Comprovadamente, ele ajuda a cognição, sendo em grande parte responsável pelo sucesso do aluno na escola.
     Mas você pode me perguntar: Como conseguir isso em uma classe totalmente heterogênea, com alunos em idades e momentos sociais diferentes, sem interesse nenhum em estar na sala de aula? Eu arriscaria dizer... Dê o primeiro passo. Comece algo com essa turma. Ninguém rejeita atenção. Alunos têm, por si só, uma carência intrínseca para aprender, para ser diferente, para ter sucesso. E, nós, educadores, temos essa capacidade de supri-los. Alguns o fazem por meio de autoritarismo, da obrigatoriedade. Por que não tentar de outra forma, com afetividade, com "olho no olho", com dedicação e amor? Não é tarefa simples, mas ser educador não é fácil. E, se escolhemos esse caminho, é porque sabemos que encontraremos flores e pedras. Temos a habilidade de transformar linguagem que os alunos usam e despertando o interesse pelo que é proposto, a aula será prazerosa para ambos. 
     Temos que ter, sim, uma preocupação com a homogeneização da turma, mas lembrando sempre do respeito que devemos a cada aluno como ser único.
     Uma relação social saudável ser faz de momentos únicos. Educador, faça valer esse título. Motive-se a começar um projeto de afetividade dentro da sala de aula. Você tem essa competência. O resultado, certamente, será positivo: alunos interessados, relacionamentos tranquilos, objetivos alcançados. Mas, repito, isso não dá do dia para a noite. Exige paciência, perseverança, reciprocidade e muita força de vontade.
     Vale a pena tentar!

Referência bibliográfica: Afeto e aprendizagem, de Eugênio Cunha (Editora: Wak).

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A amizade faz do nosso dia a dia um fardo vamos dizer assim, mais leve de ser carregado.
Então por que não podemos ser amigos também de nossos alunos? O que nos leva a pensar que a idade e nossos conhecimentos nos fazem melhores que eles? Onde, quando e por que temos o direito de nos julgarmos melhores  que qualquer um deles, quando sabemos que em cada um de nós a essência da vida é a mesma.

...A amizade agrega em seu bojo uma série de valores, sentimentos e ações de natureza nobre,  como altruísmo, solidariedade, confiança mútua, tolerância, respeito, coragem, amor, afeto e dedicação extremada.(Gabriel Chalita)


Devemos sim, levar nosso aluno ao mundo dos sonhos e do encantamento através da leitura, onde somos príncipes, reis, donzelas, heróis e até vilões. Sim por que não usar os vilões como exemplo do que não devemos ser ou fazer??

Somos um misto de todas as personagens que conhecemos e admiramos.(Chalita,31)

Vamos ensinar o valor do amor, da amizade, do idealismo, da coragem, da esperança, do trabalho,da humildade, da sabedoria, do respeito e da solidariedade através do modelo mais acessível que um professor pode ter: as histórias dentro dos livros; que muitas vezes foram esquecidos em  um cantinho.Mas agora com a era da tecnologia batendo a nossa porta e invadindo nossas vidas, por que  não utilizá-la como nossa arma mais destruidora de mentes vazias, de ideias perdidas?  Ah,  mas é preciso coragem!!! Sim, mas coragem todos temos, só precisamos buscá-la com vontade e força.

¨Coragem é o contraposto do medo¨ .(Chalita,81)


Leia para o seu aluno aquelas histórias que o fará querer ser um personagem da mesma, que ele critique, que queira fazer justiça, salvar alguém, acariciar o personagem com as próprias mãos. Aí neste momento é a hora de lhe ensinar algo, de lhe mostrar que na nossa realidade ele existe e que precisa ser visto, ouvido , acariciado, respeitado, amado...

Sejamos humildes para com nossos educandos, assim eles se abrirão para nós e ficará  mais fácil  conhecê-los e mosrar-lhes que a vida é aqui, é agora, e que nós criamos as possibilidades através de nossas verdades,reconhecendo  a verdade e as dificuldades do outro.


¨A humildade permite que o indivíduo enxergue os próprios defeitos , problemas, limitações e  posturas , atitude que, aos poucos vai abrindo caminho para a tolerância, a paciência e o perdão em relação as imperfeições e escolhas alheias¨(Chalita,124).


     Educação é a base da vida, de uma sociedade que tem que saber viver em comunidade, ou seja, dividir e construir juntos.
     Sendo assim, deparamo-nos com uma realidade bastante voltada e criada para as novas tecnologias. 
     As crianças descobrem através da tecnologia muita coisa que não entendem. A mídia faz tudo parecer belo e perfeito, e se assim é visto, logo desejo possuir. O professor de hoje, precisa saber não só utilizar essa tecnologia como também tem o dever de saber orientar o seu aluno do que é bom, verdadeiro e acima de tudo benéfico para cada sujeito.
     A informação também faz com que o professor fique mais próximo e que se torne mais presente na vida do seu aluno. Todos os meus alunos são meus amigos na rede, e aqui eu descobri que posso estar mais perto do que eles sentem, do que eles fazem, e muitas vezes os auxilio em questões pessoais. Ser professor é saber usar o que temos a nossa disposição bem como criar novas maneiras de ensinar e aprender.
     As tecnologias podem ser novas armas contra a evasão, a violência, o analfabetismo funcional e até pode salvar jovens vidas.
     Eu, como docente, acredito que tem jeito pra tudo, e no momento nosso melhor jeito é a comunicação online. ok?
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Gabriel Chalita nos diz em seu livro Pedagogia do Amor, que através da leitura podemos ensinar todo e qualquer ser humano a amar, ter bons sentimentos e até, através dessas leituras se descobrir como pessoa desconhecida para si mesmo até aquele presente momento.Ele nos diz:¨somos um misto de todas as personagens que conhecemos e admiramos.¨(p.31)

(...)A importância da narrativa, das histórias, do aprendizado, da sedução do discurso e do poder da palavra na vida de todos nós.(p.27)

Através de uma boa leitura, você pode fazer com que o seu aluno se transforme não só num bom leitor mas, também numa pessoa mais sensível ,equilibrada , capaz de desenvolver potenciais até então adormecidos dentro do seu eu.Isso também é uma forma de afeto.

Muitos professores acham que  o aluno é só um meio de sobrevivência para suas vidas, eu particularmente vejo cada um  como um degrau do meu desenvolvimento humano.O professor pode e deve ser amigo do seu aluno,pois muitas vezes é só disso que esse sujeito precisa para tomar um rumo mais acertado.


Aristóteles discorre sobre a amizade e afirma que ela é superior a justiça.Ela ultrapassa todas as explicações de carater racional, matemático, exato.

Sendo assim, meus alunos são mais unidos a mim e a eles mesmos a partir do momento que lhes dei a oportunidade de saberem o que são e quanto valem não só para mim mas de um modo geral.

Certo dia uma aluna me disse que ela não era nada, que  não tinha valor algum, e que sua família não lhe dava a menor atenção.Só reclamavam e diziam que ela só servia pra dar trabalho. Disse então a ela que estava na hora de  mudar isso.Mostrar a eles o quanto de potencial ela tinha, mas sem ficar aprontando na escola ou em casa.Que ela deveria fazer as coisas da maneira mais acertada possível para assim ganhar-lhes a confiança e com isso sua valorização.Ela pensou um pouco e concordou.Isso ela ainda  não havia tentado, quem sabe funcionaria.De certo modo ela o fez, as coisas melhoraram um pouco, já não falava tão mal da mãe,e nem criticava tanto o pai.


Celso Vasconcellos diz que o afeto que o aluno detém pelo professor facilita o aprendizado.
A afetividade é o primeiro elemento para a aprendizagem.

Sendo assim vejo que a minha maneira de conviver com meus alunos tem uma lógica e me faz sentir mais próxima a eles, mais real dentro de suas vidas, mais humana, semelhante e parceira de suas conquistas.Me orgulho deles por isso e de mim por poder saber fazer.



segunda-feira, 16 de junho de 2014

Paulo Freire já nos diz em Pedagogia da Autonomia que ¨ o professor  que realmente ensina, quer dizer,que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa,a fórmula farisaica do ¨faça o que mando e não o que eu faço¨.Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que  falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem.Pensar certo é fazer certo.¨
 
 
 
Então , agora eu pergunto a cada um o que vamos ensinar e mostrar de real aos alunos?
Vamos sim, mostrar-lhes que o afeto e a sinceridade, o desprendimento e o reconhecimento a eles destinado é real, sem amarras nem preconceitos.
 
Um dia desses estava com um grupo de meninos e um me perguntou:Prof.,como é que a senhora aguenta o cheiro do fulano?Ele é muito fedorento!Parece que não toma banho!
Eu respondi:Professor não tem nariz, pois eu não sei como é vida dele lá onde ele vive, se tem água,banheiro, chuveiro, entre outras coisas.Vou ensinar a importância da higiene sem chamá-lo de fedorento, e talvez ele consiga melhorar.Não devemos julgar as ,pessoas, todos nós temos problemas e as vezes não depende só de nós a solução.O fulano é uma ótima pessoa, educado,bom colega, porque  julgá-lo  por uma coisa tão fácil de resolver? Ele então me olhou deu um sorriso e disse: Tem razão sora,ele não merece.Nunca mais falou-se desse assunto e o colega em questão continua conosco indiferente do cheiro.
 
As crianças não são tão críticas como as vezes nos parece.Elas são ensinadas a serem desta maneira.Nós como educadores da vida e para a vida, devemos sim mostrá-lhes que há muito mais a ver e aprender do falar mal de um colega.Assim começa a cidadania.

domingo, 15 de junho de 2014

Neste blogger quero comentar minha vivência como acadêmica e professora do quão importante é o afeto em relação a educação. As crianças e adolescentes são bem mais receptivos quando tratados com delicadeza e carinho, sem perder a firmeza e mostrando assim que o que  desejamos é sempre o melhor para eles.
Na minha ainda pequena experiência com esses jovens aprendizes, descobri que eles são tão carentes de atenção verdadeira quanto de conhecimentos gerais.
Como mãe de adolescente sei que deixamos alguns vazios as vezes, e isso faz com que eles tenham uma reação equivocada, pois para eles deveríamos sempre ser seu porto seguro: aquele que tudo sabe e tudo resolve, tudo ouve e tudo sabe para ensiná-los, mas, quase sempre não é bem assim, até porque ninguém sabe tudo.
Quando começei meu curso de Pedagogia a primeira coisa que aprendi foi a humanização. Sim, aprendi, pois me achava uma pessoa de mente aberta e sem preconceitos, mas bem lá no fundo ainda não o era de fato.
Descobri que ser professor é mais que ser  ¨um ensinador¨ de coisas e matérias, é mais que substituir o pai ou a mãe, é ser criatura transformadora dessas pessoas ainda em formação, que buscam uma causa e até um modelo para seguir, é encaminhá-los por um caminho ao qual eles possam ir conscientes de que serão capazes, porque lhes foi mostrada a realidade da vida, com a vida e pela vida.
Assim me reportarei passo a passo a teóricos e também contarei fatos reais de minha vivência para que de fato possa eu também provar que o carinho, o afeto e porque não o puro amor pode fazer com que nossas crianças queiram ir para a escola e aprender  de verdade o que é ser um cidadão humanizado.
É preciso que comece por nós, para que no futuro sejamos semente e não aqueles que desde cedo podaram sonhos e semearam desconfiança e desesperança. Pode parecer demais, mas já vi professores que com um dedo e três palavras colocaram no olhar de uma criança talvez o fim de um começo. Nos vemos aqui no decorrer do tempo e de minha jovem caminhada rumo a construção do saber e do amor.
Até breve.